Escrito por DCI/Unifesp
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) alcançou o 4.º lugar nacional na seleção de novos projetos do Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde (AfirmaSUS), promovido pelo Ministério da Saúde. A proposta Aquilombamento na Formação Antirracista no SUS: integração Unifesp e SMS-SP está entre os projetos selecionados no Edital nº 27/2026 do programa.
A iniciativa será desenvolvida no Campus São Paulo e estabelece uma articulação entre a universidade e a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP). O projeto visa fortalecer a formação em relações raciais na saúde por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, articulando o currículo dos cursos de saúde da Unifesp com a realidade dos serviços de saúde no território. A proposta atuará na região de abrangência da CRS Sudeste, e selecionará 10 bolsistas estudantes de graduação em cursos de saúde ingressantes por ações afirmativas. As principais atividades incluem a análise do currículo dos cursos de saúde à luz da equidade racial em saúde; realização de atividades de educação permanente em saúde junto aos profissionais da SMS-SP; ações de integração entre universidade e serviços de saúde; e fortalecimento de parcerias com organizações de movimentos sociais negros.
O resultado amplia a participação da Unifesp no AfirmaSUS. Em 2025, a universidade já havia obtido a aprovação de dois projetos no programa: Saravá: Práticas de Promoção à Saúde Integral da População Negra e Valorização da História e da Cultura Afro-Brasileira, desenvolvido no Campus Baixada Santista, e Promoção de saúde mental e prevenção de violência: trabalho e vulnerabilidades, no Campus São Paulo.
Criado pelo Ministério da Saúde, o AfirmaSUS busca articular permanência estudantil e formação para o Sistema Único de Saúde. O programa apoia projetos de instituições públicas de ensino superior que desenvolvam ações de ensino, pesquisa, extensão e cultura com abordagens interseccional, intercultural e interprofissional, integrando universidade, serviços de saúde e comunidades.
Entre os públicos priorizados estão estudantes ingressantes por ações afirmativas e pertencentes a grupos socialmente vulnerabilizados, como pessoas negras, indígenas, quilombolas, trans, migrantes, refugiadas e com deficiência. A proposta visa combinar políticas de permanência com uma formação em saúde orientada à redução das desigualdades e ao fortalecimento da equidade no SUS.
No edital de 2026, os projetos deveriam contemplar dois entre cinco eixos temáticos definidos pelo Ministério da Saúde. Entre eles estão educação para promoção da diversidade e enfrentamento das iniquidades; ampliação do acesso e do cuidado em saúde; saúde mental de grupos socialmente vulnerabilizados; valorização dos territórios tradicionais e originários; e inovação e comunicação em saúde.
Os grupos do AfirmaSUS contam com bolsas para estudantes de graduação, tutores e orientadores de serviço. Para estudantes, o valor mensal previsto no edital é de R$ 700,00. O programa também prevê recursos para custeio das atividades, condicionados à disponibilidade orçamentária. De acordo com o cronograma do Ministério da Saúde, as atividades dos novos grupos estão previstas para começar em 3 de novembro de 2026.
Segundo Anderson Silva, pró-reitor de Assuntos Estudantis da Unifesp, “o AfirmaSUS tem uma proposta interessante por favorecer a relação entre a universidade e os serviços de saúde, tal qual prevê o nosso Sistema Único de Saúde. O programa elegeu de maneira adequada alguns eixos prioritários voltados à equidade em saúde e, adicionalmente, oferece a estudantes cotistas a oportunidade de colaborar, a partir de suas visões de mundo, com o desenvolvimento do SUS e com as ações finalísticas da universidade, recebendo uma bolsa que fortalece suas condições de permanência no ensino superior”.